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ROUPAS DE SEGUNDA MÃO: "VINTAGE" É TENDÊNCIA!

 


CAPÍTULO I

A INDÚSTRIA TÊXTIL E O MEIO AMBIENTE








 

Abro o capítulo de hoje com uma espécie de continuação da introdução, pois muitas coisas mudaram no planejamento da reescrita do meu tcc e precisei me adaptar com o tempo; porém o tempo é sempre nosso amigo, e esse período de pausa me fez entender que não é necessário escrever os textos nas normas técnicas da ABNT, já que o blog tem a proposta de ser mais livre e fluido. Além do que a intenção principal é a de compartilhar conhecimento com uma linguagem acessível para que a informação chegue ao maior número de pessoas possível, e gere algum impacto ou transformação social.
E no texto original esse capítulo inicia-se assim...

A indústria do setor têxtil é uma das maiores do mundo em termos de produção,
consome grande quantidade de água na sua atividade produtiva, gerando um efluente
altamente poluído, proveniente, principalmente, dos setores de engomagem,
tinturaria e acabamento. (Figueiredo; Santos1
apud E. Rella ett aliis, p.94,2009).
Mais do que reduzir o consumo de água e tratar seus efluentes, a indústria têxtil
precisa: utilizar matérias-primas menos poluentes e, de preferência, fibras naturais e
orgânicas; reduzir a quantidade de resíduos jogados na natureza e, se possível,
reutilizá-los; usar menos energia e rever o uso de produtos químicos nocivos ao
Planeta e a todo o seu ecossistema. (E. Rella ett aliis, p.94,2010)

A citação acima foi retirada do livro Moda em Sintonia , e nela encontra-se um breve resumo de como a indústria têxtil afeta de maneira negativa o meio ambiente. As informações apresentadas no trecho retirado do livro, que foi uma das poucas referências bibliográficas utilizadas nesse estudo, por falta de material de pesquisa na época em que foi realizado; foram um combustível para realização desse trabalho . No entanto, a internet já era um ambiente muito rico em informações; e como o problema existia pesquisei por soluções. A alternativa mais viável apresentada para o momento era a proposta de consumir roupas de segunda mão e vintage. O texto que baseou os estudos dessa pesquisa estava hospedado no portal Ser Sustentável com Estilo, da ativista Chiara Gadaleta. Dentro do site também tinha a entrevista da antropóloga Lígia Krás, e essa entrevista foi importante para elaborar os tópicos da pesquisa.

Outra informação importante a ser acrescentada aqui, é que na época em que escrevi esse estudo fazia faculdade na cidade de Americana/SP, um dos motivos da citação abaixo estar presente no texto original.

A indústria têxtil possui um grande potencial poluidor no Estado de São Paulo,

principalmente na região que abrange os municípios de Americana, Nova Odessa e

Santa Bárbara do Oeste. Estas indústrias utilizam sistemas de tratamento para

reduzir as cargas poluidoras provenientes dos seus processos industriais. No entanto,

são responsáveis pela geração de 99,52% da carga orgânica potencial (8.887,62

toneladas DBO/ano), respondendo ainda por 99,64% da carga orgânica

remanescente (1.870,80 toneladas DBO/ano), lançadas na bacia do rio Piracicaba.

(Figueiredo; Santos, p.26, 2000).

Essa informação é interessante pelo simples fato de que apesar da legislação exigir uma estação de tratamento de efluentes dentro das indústrias, essa etapa do processo sempre acaba por ser negligenciada em um certo nível, já que o procedimento é de alto custo financeiro. 

No geral as grandes indústrias aproveitam para despejar efluentes sem tratamento nos rios em períodos de cheia, já que o aumento  no volume das águas causado pelas chuvas dificulta localizar a origem do poluente, e assim impossibilitar os órgãos responsáveis pela fiscalização, como é o caso da CETESB, de aplicar a devida multa no infrator.

Por isso é importante ressaltar aqui que a culpa da crise ambiental e climática é da indústria. Foi ela quem deu origem ao problema com o seu modelo de negócio exploratório.  Então, você, minha cara, meu caro amigue consumidor, você. Sim, você mesmo que está aí sentade em frente ao celular com esse texto aberto na sua tela, você não tem culpa de nada! 

É a indústria quem produz excedentes e depois despeja em desertos localizados na América Latina, gerando assim mais resíduos dentro do planeta, e resíduos esses que tem longos períodos de decomposição, e que durante o processo causam a poluição dos lençóis freáticos e do solo.

O deserto do Atacama já não tem mais uma paisagem paradisíaca, e as fast fashions tem uma grande culpa por essa mudança drástica no cenário. 



Mas não é porquê você não é o responsável por esse problema que você deve e pode se isentar. Mudar os hábitos de consumo pode beneficiar o planeta, e a proposta do estudo é mostrar como consumir roupas de segunda mão pode ajudar a amenizar os impactos causados pela indústria têxtil e da moda no meio ambiente.

Um bom exemplo é o jeans, um dos segmentos têxteis que mais consome água em sua produção. Quando você compra um jeans novo é a mesma coisa que consumir 5.196 litros de água. 80% desse número é referente ao plantio de algodão. Na tecelagem são consumidos 127 litros de água; 360 são da lavanderia, e fechamos essa conta com 460 litros que entram nos bolsos das calças do consumidor, referentes as lavagens feitas em casa ao longo do tempo de vida do produto. Dados fornecidos por um estudo realizado pela Vicunha.

Ou seja, consumir jeans de segunda mão é a mesma coisa que poupar o referente a 4.643,8 litros de água de se transformarem em efluentes altamente tóxicos que poderão ser despejados nos rios. 

O jeans de segunda mão também ajuda a preservar os solos, já que o algodão é uma monocultura que empobrece a terra, consome uma quantidade absurda de água em seu plantio e exige uma alta quantidade de pesticidas e agrotóxicos em seu cultivo, o que também polui as águas. 

Inclusive, no Camboja as consequências do uso excessivo de agrotóxicos no plantio da fibra têxtil mais utilizada no mundo todo já é uma realidade. Devido ao consumo de água e alimentos contaminados, pela população, muitas crianças têm nascido com algumas deficiências. A Monsanto, empresa responsável por esse caos todo continua a atuar firme e forte no mercado, sem receber punição alguma por suas ações monstruosas contra a humanidade. 

Ficou em choque de ler Monsanto por aqui né!? Mas para você entender como funciona o agro vamos a explicação...

Quando o produtor vai até o banco solicitar empréstimo para comprar sementes para plantar em sua fazenda ou sítio é obrigatório que se compre as sementes da empresa citada acima. As sementes produzidas por eles só vingam na base do agrotóxico, então você é obrigado a comprar o agrotóxico que eles produzem, senão terá prejuízo durante o cultivo da plantação.

Isso é um bom exemplo de venda casada, o que é proibido em muitos países, inclusive no Brasil. E também fica claro que eles tem o monopólio do agro, que também é uma prática ilegal em vários países.

E o algodão foi eleito a melhor fibra têxtil por conta de todos esses motivos. Cultivá-lo dessa maneira é uma ferramenta muito poderosa de destruição do planeta, já que esse é o objetivo do sistema, colapsar a existência humana aqui na Terra.

Outra questão muito relevante dentro dessa indústria são as fibras sintéticas criadas na década de 70. O propósito desse projeto foi liberar solo para o agro, uma vez que as fibras têxteis seriam produzidas em laboratório.E dentre essas fibras vale o destaque para o poliéster, que surgiu com o propósito de baratear a produção e agregar valor ao produto. Por isso hoje em dia as roupas são 100% poliéster ou mescla com ele.

Mas o bonito leva em torno de 300 anos para se decompor no meio ambiente, portanto o uso dessa fibra é no mínimo indecente por parte da indústria.

A sigla utilizada para se designar a ele na tyvek (etiqueta de composição da roupa) é PES, fiquem de olho na hora da compra. Quanto menos plásticos consumirmos mais a indústria terá a necessidade de buscar por outras matérias-primas que sejam circulares.


Fora do Brasil, o movimento ganhou força na Europa e nos Estados Unidos, movido

pela crise financeira e reforçado pelo aumento da conscientização da

sustentabilidade – já que roupas e utensílios usados não demandam novos recursos

naturais e energia para serem produzidos. Além disso, crescem os questionamentos

de consumidores em relação às práticas trabalhistas da indústria têxtil: muitas

empresas terceirizam sua produção para países onde as normas trabalhistas são mais

frágeis, como China, Índia e Paquistão. (Portal Estadão, 2010).

Hoje o cenário no Brasil é bem diferente e o consumo de roupas de segunda mão aumentou consideravelmente, o motivo foi a crise política e econômica que vivemos no período de 2016 a 2022.

Vestir-se é uma necessidade e como o valor financeiro desses produtos são mais acessíveis, a alternativa se mostrou viável. O modelo de negócio também é bem simples, os investimentos iniciais são possíveis, e o que vivemos dentro do universo da moda é uma ascensão dos brechós. Ele ganhou valor social, e hoje vive o fenômeno do fetiche da mercadoria, o que leva a um questionamento. Será que brechó é a solução? Por quê quando essa mercadoria se torna um fetiche, o consumo desenfreado entra em ação, e o que aconteceu foi que trocou-se o seis por meia dúzia.

*Esse capítulo nunca estaria presente no texto original, uma vez que meus professores eram/são os industriários do pólo têxtil do estado de São Paulo. Na época a minha intenção com esse trabalho era o de propor a sociedade uma nova maneira de consumir, porém agora a minha proposta está mais para um chamado a população, para que nos mobilezemos contra o nosso maior inimigo, as indústrias que não estão comprometidas com a saúde do meio ambiente e tire delas o poder de destruir a natureza. Elas precisam ser criminalizadas, punidas e responsabilizadas. Além de deverem a nós a revitalização do nosso planeta.

E se tem uma economia que eu acredito é a circular.

Dica de filme: documentário " The trupe cost". Assistam para complementar esse texto! O documentário é bem mais denso e intenso. Preparem os lecinhos! 😘


Texto por Talita Berribilli, formada em tecnologia têxtil pela Fatec-AM, dona do Saindo do Armário brechó

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